terça-feira, 4 de abril de 2017

Roda de Conversa: As Mulheres e a Reforma da Previdência

O atual momento para nós, mulheres trabalhadoras é de se organizar para entender, aprofundar e combater todos os desmontes que o Governo Golpista de Michel Temer está colocando em pauta no Congresso Nacional.
Por isso, a Frente Feminista de Esquerda está convidando para a Roda de Conversa: AS MULHERES E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA com trabalhadoras e trabalhadores, em Itaquera.
Queremos lutar para que nossos direitos não sejam roubados!
Nenhum Direito a Menos!

Preste atenção nas mudanças que estão sendo propostas:
Aumentar a idade mínima de aposentadoria para 65 anos, diferente do que é hoje – 60 anos para homens e 55 anos para mulheres;
Elevar o tempo mínimo de contribuição de 15 para 25 anos;
Igualar homens e mulheres no momento da aposentadoria, desconsiderando que as mulheres trabalham mais que os homens, pois são responsáveis pelos cuidados com crianças, idosos e da casa;
O governo pretende mexer no cálculo e pressionar o trabalhador a contribuir mais tempo para melhorar o valor a receber. O benefício será calculado com base em metade das contribuições mais altas somando mais um ponto percentual a cada ano pago. Isso quer dizer que para se aposentar com 100% do benefício, será preciso contribuir 49 anos.

Venha discutir sobre tudo isso com outras mulheres em nossa Roda de Conversa!
Crianças serão bem vindas!

segunda-feira, 6 de março de 2017

Ser mulher sem medo*


Não é segredo o avanço das pautas e demandas relacionadas à questão de gênero, as mulheres têm lutado por seus direitos, estado em espaços públicos, aumentou a quantidade de mulheres nas áreas de ensino, tanto na educação básica quanto em nível superior. Nenhuma dessas conquistas veio de graça, muita luta, sangue, suor foi e é necessário para que cada passo seja possível.
Porém o machismo e o patriarcado respondem de forma agressiva aos avanços de nosso gênero e de nossa classe. A violência tem aumentado e as manifestações abertas de misoginia também. A mulher ainda é tratada como um gênero inferior, sem desejos, sem vontades, um objeto apresentado como mercadoria, disponível a ser consumida.
As várias propagandas institucionais nada resolvem, a violência ainda é individualizada e a mulher responsabilizada. Muitas das políticas públicas trazem a ilusão de igualdade, no entanto pouco garantem a possibilidade real às mulheres de tal direito. Ainda são os empregos mais precarizados majoritariamente femininos: operadora de telemarketing, professora/educadora, limpeza etc, são as mulheres as maiores vítimas de assédios nos locais de trabalho, os salários mais baixos, as condições de vida mais rebaixadas.
A precarização na saúde e na educação, através da PEC do teto dos gastos, bem como a reforma da previdência, apenas mostram que quem paga pela “crise” é uma classe e, ainda mais, um gênero, que, não bastasse as jornadas de trabalho não pagas, tem a intensificação da exploração e deterioração do mínimo necessário para a subsistência.
Por todo o mundo vemos os ataques crescerem, as mulheres trabalhadoras são as que mais sofrem. Com o alto índice de desemprego que assola o país, sendo a maioria da população, são as mais oprimidas pelo patrão e por aqueles que deveriam ser seus companheiros, que se voltam contra suas parceiras ao invés de se revoltarem contra o opressor, que explora ambos.
São muitas aquelas que deixaram seu sangue nesse caminho, por nossas veias correm Marias, Isamaras, Rosas, Lucias, Margaridas, Déboras... Esse caminho que continuamos a trilhar e gritar contra a precarização de nossas vidas e de nossa força de trabalho! Contra o feminicídio que mata mais e mais mulheres todos os anos em todas as partes do mundo! Tornaremos nossos grilhões correntes de resistência, em cada argola uma dor, um sonho, uma guerra. A luta não se acaba em um, se estende por todo o punho que se levanta contra a violência de gênero, opressão de classe e por um mundo onde possamos viver sem medo de ser mulher..... Por todas, gritemos: “Nem uma a menos! Vivas nos queremos!”

*Inspirado na palestra de Eduardo Galeano: "Os homens tem medo das mulheres sem medo". No youtube com o título “mujeres” <https://www.youtube.com/watch?v=5lzl1wGLmJw>

Aposentadoria e as mulheres: porque a igualdade aumenta ainda mais a desigualdade
No bojo das ações planejadas pela reforma da previdência, em andamento, existe a proposta de fixação da idade mínima de 65 anos para homens e mulheres aposentarem. Se a proposta pode parecer, para alguns, promover “igualdade” entre os sexos, ela é de fato uma grande afronta a nós, trabalhadoras, que enfrentamos diariamente os prejuízos de uma sociedade machista, racista e capitalista. Não vivemos em uma sociedade em que homens e mulheres possuem as mesmas condições sociais e as estatísticas comprovam isso: 88% das mulheres assalariadas também realizam trabalho doméstico, enquanto somente 46% dos homens assalariados possuem essa dupla jornada. Fora isso, as mulheres inseridas no mercado formal de trabalho têm renda mensal que corresponde aproximadamente a 75% da renda masculina - e no mercado informal, 65% (PNAD, 2014). As estatísticas são ainda mais desiguais quando se trata de mulheres negras, e o prejuízo das professoras e trabalhadoras rurais, que possuem regimes diferenciados de aposentadoria, será maior que o das trabalhadoras urbanas com as novas regras. Ou seja, trabalhamos mais e ganhamos menos, e isso não mudou...então porque a lei deve mudar dessa forma? Será mesmo essa a única solução para salvar o futuro da previdência?

É nesse aspecto que não devemos abrir mão dos direitos já conquistados. Quem deve pagar pela crise são os ricos, não nós! A taxação das riquezas e o não pagamento dos juros de uma dívida pública infinita são ações mil vezes mais eficazes para resolver nossos problemas sociais. Não se trata de uma guerra de sexos, na qual mulheres querem garantir privilégios, mas sim a continuidade de um processo que, ao mesmo tempo que insere as mulheres no mercado de trabalho e as fazem enfrentar os problemas de classe junto com os demais trabalhadores, tem garantido às mulheres se tornarem, aos poucos, cada vez mais independente e atuantes na vida pública, econômica e política. Não podemos retroceder! Vamos às ruas!

Todas e todos ao ato do dia 08 de março
Local: Praça da Sé
Concentração: 15 horas
Saída: 17 horas








quarta-feira, 13 de julho de 2016

Em cada pétala...


Em cada pétala
um grito

Em cada espinho
um punho

Em cada botão 
uma Rosa

Em cada jardim
uma história

Em cada luta
uma primavera

Carpe




quinta-feira, 23 de junho de 2016

Sarau do Violeta




“Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto”
Violeta Parra

Muito recentemente a questão de gênero vem tomando frente na história, não porque antes a luta de mulheres não fosse fato histórico, mas somente agora a história deixou de nos virar as costas, a pegamos com os punhos e a tomamos de assalto. É visível o crescimento das lutas em torno do tema “gênero” e com isso a resposta do patriarcado-machismo-capitalismo também é dura e imediata: estupros, violência, agressões, constrangimentos são algumas das respostas ao nosso avanço na história. A crise também intensifica essa violência, que vindo contra a classe social mais precarizada afeta em dobro aqueles que são os seres mais discriminados e sujeitados dessa camada, mulheres e negrxs, sendo as mulheres negras aquelas que mais sofrem nesse contexto.
Diante desse momento pelo qual passamos, manter e tentar caminhar em um coletivo de gênero não tem sido uma tarefa fácil, sobrecarregadas com a militância mais as tantas jornadas de trabalho que nos cercam se torna cada vez tarefa mais árdua sentar para refletir e pensar sobre a condição social a qual estamos sujeitadas, porém é também gratificante pensar os trajetos, as lutas, os caminhos que construímos e a consciência de nossa exploração como mulheres trabalhadoras, saber onde pisamos para não cairmos, e se cair, que consigamos nos levantar e continuar.
Esse ano o Coletivo de Gênero Violeta Parra completa 5 anos, anos de luta e de história, foram Elizabeths, Violetas, Rosas. Lutadoras presentes hoje e sempre! Construindo o caminho do luto à luta.
Nomeamos nosso coletivo por: Violeta Parra, que cantou a voz dos oprimidos e explorados de toda uma América Latina em um período em que a esperança estava escassa, ela gritou com sua arte seu povo, com sua música os oprimidos, com sua voz os camponeses. Violeta foi uma mulher que levou seus princípios até o ultimo segundo de sua vida, não recuou, não se deixou podar.
A proposta dessa atividade é trazer a importância dos coletivos e discussões em torno da questão de gênero e falar um pouco sobre o Coletivo de Gênero Violeta Parra e o porquê de nossa existência. Será um Sarau com poesia, música, comes, conversas. Convidamos a todas e todos. Músicas, poetisas e intervenções diversas serão bem vindas.

Dia 25 de Junho de 2016 às 18h00min
Espaço Cultural Mané Garrincha

Rua Silveira Martins 131 Sala 11 Saída Poupatempo, São Paulo
Haverá comes e bebes.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

II Encontro aberto de formação de gênero: Gênero, Classe e Raça


"Eu não estou mais aceitando as coisas que não posso mudar. Eu estou mudando as coisas que não posso aceitar" 
Angela Davis


       O Coletivo Violeta Parra convida todas as companheiras para nossa segunda formação aberta do ano. Em nossa primeira formação discutimos sobre gênero e classe. Agora, com a ajuda do livro de Heleieth Saffioti, "O poder do macho", pensaremos na junção das questões de classe, gênero e raça. Isso porque a desigualdade existente entre patrões e patroas e trabalhadorxs, homens e mulheres e entre brancxs e negrxs só potencializam-se quando se manifestam concomitantemente, sendo as mulheres negras e trabalhadoras as pessoas comprovadamente mais desfavorecidas no sistema social atual. Assim, é preciso compreendermos como se dão tais explorações e opressões, pensando em como construir nossa estratégia de luta.
       Saffioti escreveu este livro com a intenção de conversar com pessoas que jamais leram sobre a desigualdade dos sexos, feminismo ou afins. Sendo assim, é uma excelente oportunidade de começar a entender melhor a questão. Contamos com a presença de todas! Juntas somos mais fortes para lutar..."Por todas elas"!


Texto O poder do macho - http://ujcsp.net/wp-content/uploads/2015/09/hs-O-poder-do-macho.pdf




Será no Espaço Cultural Mané Garrincha
Rua Silveira Martins, 131, sala 11 (Saída pelo Poupatempo)
Dia 19 de junho de 2016 (Domingo) - às 15h

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Mulher e trabalho

     No mês de maio, quando o dia do trabalho recoloca as problemáticas atuais existentes no trabalho humano, submetido à lógica capitalista de exploração e baseado na acumulação de capital, reforçaremos que “a classe trabalhadora tem dois sexos” (Souza Lobo), trazendo questões de gênero que interferem nas condições de trabalho das mulheres. Isso porque não é raro ouvirmos pessoas dizerem que as mulheres já alcançaram “direitos iguais”, os quais tanto reivindicavam. Será mesmo?

     Se concebermos o trabalho como intrínseco ao ser humano - pois somente os humanos planejarão e escolherão entre as diversas possibilidades de realizar uma determinada ação transformadora na natureza (O que Lukacs chamará de previa-ideação) - concordaremos com a ideia de que foi um grande avanço para as mulheres, enquanto seres que se constroem através do trabalho, saírem da restrição do ambiente privado e restrito de seus lares para a vida pública. Entretanto, em uma sociedade capitalista, este processo vem acompanhado por uma alienação que não emancipa, mas que, pelo contrário, faz com que as mulheres engrossem ainda mais as fileiras dos humanos explorados, que sofrem com a alienação do produto de seus trabalhos.

     Fora isso, a igualdade entre os sexos nos direitos burgueses trabalhistas não é o que percebemos ao analisar de perto o mundo real do trabalho, onde mulheres e profissões relacionadas às tarefas historicamente consideradas femininas são desvalorizadas e postos precarizados de trabalho são ocupados majoritariamente por trabalhadoras. Nesses aspectos, a classe dominante sabe se aproveitar muito bem das heranças históricas do patriarcado. Assim, muitas mulheres aceitam trabalhos informais devido à carga horária reduzida ou mais flexível, visando obterem tempo para manter seus trabalhos para além de seu trabalho assalariado, como os trabalhos domésticos e o cuidado com os filhos.

     Sim, esses trabalhos continuam sendo considerados de responsabilidade das mulheres da família, sendo esta a maior prova da desigualdade ainda existente na divisão social do trabalho, que estabelece também uma divisão sexual do trabalho. Algumas pessoas provavelmente poderiam citar inúmeros exemplos de homens que fazem trabalhos domésticos, com o intuito de deslegitimar nosso argumento. Porém, essas ações dos homens ainda se caracterizam como uma “ajuda”, bondade e disposição dele, sendo a mulher a única responsável. Ela que será cobrada por isso, pelo bom andamento do lar e pelo desempenho de seus filhos, na maior parte do tempo e dos trabalhos que realiza.
     
     Com isso, nós, mulheres, somos submetidas a uma dupla, às vezes tripla (quando se tem filhos ou dois empregos), jornada de trabalho, o que consequentemente reflete em nosso desempenho no mercado de trabalho assalariado. Somos, em geral, as mais exploradas, as mais precarizadas, e ainda temos nosso tempo livre, no qual poderíamos nos formar ou cuidar de nós, sempre reduzido ou anulado devido as tais duplicações ou triplicações de nossas jornadas de trabalho. Em uma pesquisa se observou que, somando as atividades remuneradas e não remuneradas de um grupo de mulheres da Bahia, estas mulheres trabalhavam, em média, 95 horas por semana (Figueiredo, 1980). Mulheres paulistanas chegam a gastar de 7 a 9 horas em trabalhos domésticos (Machado Neto e Brito, 1982). Se considerarmos os salários, o cenário é ainda mais catastrófico: mulheres negras chegam a ganhar 70% menos que homens brancos! (IBGE, 2009).

     Como se não bastasse, de acordo com a OIT (ILO, 2010), 1 em cada 4 mulheres sofre ou sofrerá assédio sexual no trabalho. Os danos à saúde das trabalhadoras que sofrem assédio sexual são devastadores, manifestando “sintomas psicológicos como sentirem-se frágeis, culpadas, sofrem insônia, tensão, raiva e depressão, assim como sintomas biológicos como dores de cabeça, dores musculares, ânsia de vômito, pressão alta, mudança no peso e fadiga” (Ibid.). Além disso, o assédio sexual pode ocasionar a perda do emprego, já que na maior parte das vezes as mulheres se vêm forçadas a se demitirem. Nossas denúncias, quando feitas, são geralmente tachadas de frescura, de hipersensibilidade, ou ainda podem ser entendidas como fofoca e perversidade para prejudicar o colega de trabalho - agressor.

     Ou seja, será mesmo que direitos iguais no papel geram atitudes diferenciadas? Elas ocorrem com a mesma facilidade com que o burocrata carimba e oficializa tais direitos? Já viu-se que não.

   Nesse contexto, torna-se importante conversarmos sobre essas questões, desnaturalizando o machismo. É fundamental que uma trabalhadora se reconheça em outra no dia-a-dia do trabalho, e que juntas possamos exigir que alguns direitos básicos já conquistados sejam garantidos em nosso ambiente de trabalho. Assim, assédio (moral e sexual) é crime, não é culpa da mulher. Salários mais baixos para mulher também. Julgamentos morais que prejudique-nos profissionalmente também!

     Uma companheira de nosso coletivo sofreu recentemente assédio no trabalho e não se calou, assim como também se solidarizou com as demais mulheres assediadas pelo mesmo macho. Algumas pessoas tentaram convence-la que ela tinha culpa, que ela tinha permitido, que seu jeito era muito “dado”, o que chegou a afeta-la psicologicamente. Mas ao acontecer com diversas outras mulheres, todos perceberam que o problema não era bem esse, como a companheira já alertava. Com o desenrolar dos fatos, o assediador foi demitido, não sem antes a companheira ter sofrido consequências drásticas no andamento de seus trabalhos. Ela também não conseguiu dar sequência a campanha contra assédio, acordada com a chefia, porque “o problema era apenas aquele rapaz”. Mas os dados, e as trabalhadoras do local, demonstram que não.

É por essas e outras seguimos lutando. Unidas, somos mais fortes, fortalecendo, inclusive, o grupo de trabalhadores ao qual estamos integradas, para que num futuro, não tão distante, consigamos acabar com toda exploração e opressão a que estamos submetidas!